A ELLE BRASIL CHEGOU AO FIM: TRÊS MOTIVOS QUE ME FIZERAM LEITORA DA PUBLICAÇÃO

07/08/2018

 

 

Começamos a semana com uma notícia que pegou todos desprevenidos: o Grupo Abril, em comunicado oficial, informou que a veiculação tanto online quanto impressa de grandes revistas como Elle, Cosmopolita e Boa Forma serão descontinuadas. Outros títulos que também sairão do mercado são Casa Claudia, Mundo Estranho, Arquitetura, Minha Casa, Veja Rio e Bebê.com causando a demissão de mais de 600 pessoas.

 

A decisão foi comunicada na tarde desta segunda feira (6/8) em reunião geral com os funcionários da Abril e gerou enorme comoção nas redes sociais.

 

O grupo sofre com a reestruturação que começou há cerca de um ano. Em outubro do ano passado, o primeiro corte de funcionários foi realizado pela empresa Legasi com o objetivo de reduzir as dívidas que na época ultrapassava o valor de 330 milhões.

 

O corte veio duas semanas após Marcos Haaland, da empresa de consultoria americana Alvarez & Marshal, assumir a diretoria do grupo, substituindo o neto do fundador, Giancarlo Civita, que estava no cargo desde março deste ano.

 

A Elle chegou no Brasil há 30 anos e desde então, inovou no mercado de jornalismo de moda, trazendo pautas importantes como a sustentabilidade, representatividade negra, LGBTQ e plus size, feminismo e questões de gênero.

 

Grandes nomes passaram pelas páginas da revista estampando as capas e trabalhando nos bastidores. Foram modelos, fotógrafos, estilistas, jornalistas e ícones do mercado da moda.

 

 

Leia agora o Comunicado Oficial da Editora Abril:

 

“O Grupo Abril comunica que, como parte do seu processo de reestruturação, está reformulando o portfólio de marcas da editora com o objetivo de garantir sua saúde operacional em um ambiente de profundas transformações tecnológicas, cujo impacto vem sendo sentido por todo o setor de mídia.

O processo tornou-se obrigatório dentro das circunstâncias impostas por uma economia e um mercado substancialmente menores do que os que trouxeram a Abril até aqui.

Com isso, a empresa passará a concentrar seus recursos humanos e técnicos em suas marcas líderes: VEJA, VEJA SÃO PAULO, EXAME, QUATRO RODAS, CLAUDIA, SAÚDE, SUPERINTERESSANTE, VIAGEM E TURISMO, VOCÊ S/A, VOCÊ RH, GUIA DO ESTUDANTE, CAPRICHO, MDEMULHER, VIP e PLACAR. Marcas que somam audiência qualificada de 125 milhões de visitantes únicos por mês e 5,2 milhões de circulação nas versões impressa e digital por mês, além de centenas de eventos.

Aos profissionais que atuaram nos títulos que estão sendo descontinuados, nosso agradecimento pela dedicação e pelo profissionalismo.

Em consonância com sua trajetória e relevância na imprensa brasileira, a Abril reafirma o seu compromisso de manter vivo o jornalismo de qualidade. Uma imprensa forte, livre e idônea em seus princípios é essencial para o desenvolvimento do Brasil e o único antídoto contra desinformação e fake news.”

 

 

Com mais de um milhão de seguidores no Instagram, a revista vivia um ótimo momento editorial e foi através da rede social que a Editora Chefe da Elle Brasil, Suzana Barbosa, confirmou a triste notícia para os seus seguidores:

 

“Comunicamos que a Editora Abril, que detém os direitos de licenciamento da Elle no Brasil, decidiu descontinuar a publicação do título a partir deste mês. Desde que chegou ao Brasil, em 1988, a Elle revolucionou o mercado editorial com sua linguagem inovadora, sua moda jovem e irreverente, seu lifestyle luxuoso e, ao mesmo tempo, acessível. Durante esses 30 anos, formou grandes profissionais, lançou e ajudou a consolidar a carreira de inúmeros fotógrafos, modelos e estilistas.

Saiu na frente ao ser a primeira revista de seu segmento a ter um site, a ganhar uma edição digital para tablets, a produzir conteúdos em vídeo e a estar presente em todas as redes sociais. Elle também foi pioneira ao ser a primeira revista de moda brasileira a defender liberdades individuais, a falar de feminismo, a se posicionar sobre questões de gênero e a dar cada vez mais espaço para a diversidade. Cumpriu seu papel de fazer um jornalismo de moda sério, moderno e engajado, compartilhando com sua audiência valores fundamentados em respeito, empatia e humanismo.

Soube capturar como nenhum outro título o espírito de seu tempo e virou referência no mercado editorial brasileiro. Publicou capas históricas, aclamadas por aqui e internacionalmente.
É com tristeza, mas sobretudo com muito orgulho, que a equipe se despede de seus leitores com a edição de agosto, nas bancas, e fala de sustentabilidade na moda e nas relações, além de trazer belíssimas imagens registradas na Amazônia. Agradecemos imensamente a todos aqueles que nos acompanharam até aqui. Aos assinantes, que nos dedicaram sua confiança e lealdade, comunicamos que a Editora Abril enviará o mais breve possível uma carta com novas informações sobre sua assinatura”.

 

Os quinze títulos que continuam a ser publicados são: Veja, Veja São Paulo, Exame, Quatro Rodas, Cláudia, Saúde, Superinteressante, Viagem e Turismo, Você S/A, Você RH, Guia do Estudante, Capricho, M de Mulher, VIP e Placar.

 

É um momento triste para o jornalismo de moda que  sofre uma enorme perda com o final da publicação no Brasil. Será difícil encontrar reportagens tão bem construídas e atualizadas com a nossa realidade social.

 

 

Por isso, eu listei os três principais motivos que me fizeram leitora da Elle e o que eu aprendi com eles:

 

1. Não tenha medo de quebrar paradigmas

 

As capas da Elle eram cheias de representatividade e algumas foram muito criticadas, mas a revista manteve o seu posicionamento, o que a fez ganhar mais força no mercado.

 

 

2. Mantenha-se atualizado

 

Compreender o momento em que vivemos e se adaptar às viradas de épocas é o que fez a revista manter um viés contemporâneo.

 

 

3. Moda é arte

 

Na edição de dezembro de 2017, a Elle trouxe quatro capas, sendo Zé Celso como "O Grito" de Munch, Taís Araújo e Lázaro Ramos como "O Beijo" de Klimt, Sônia Braga como "Monalisa" de Da Vinci, Caetano Veloso em "Joiners" de David Hockney e Lea T como "O NascimenVênus" de Botticelli.

 

 

 

 

 

 

Nos resta agora folhear nossas edições passadas com espírito saudosista e muito respeito por este veículo que mudou o cenário da moda no Brasil.

 

Obrigada, Elle!

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