PORQUE ALTA COSTURA É TÃO CARA?


Vestido de Haute Couture sendo confeccionado no Ateliê Christian Dior


Todos os anos, os maiores e mais renomados ateliês parisienses apresentam suas coleções de Haute Couture na Semana de Moda de Paris. Entre as peças "básicas" o valor gira em torno dos 15 mil reais e a mais cara pode chegar à milhões. Mas porque Alta Costura é tão cara?


A Haute Couture, ou Alta Costura é uma 'costura de qualidade' ou 'costura excelente' e é o melhor que a moda pode oferecer em termos de qualidade. Trata-se de criação em escala e artesanal de roupas de luxo, com materiais de altíssima qualidade, feitas sob medida e à mão que resultam em peças perfeitas e exclusivas.


No século 19, as parisienses de classe alta encomendavam em ateliês de costura roupas sob medida para se diferenciar, sendo impossível encontrar outra mulher na rua com a mesma roupa. Até hoje, a exclusividade é um dos maiores atrativos da alta costura e poucos são os designers que fazem parte desse segmento.


Uma grife de alta costura precisa aderir às rigorosas exigências do Ministério Francês da Indústria e da Fédération Française de la Couture. Algumas delas são: criar roupas sob encomenda com ao menos uma prova para clientes privadas, empregar em tempo integral no mínimo 20 funcionários, estar sediada em Paris e apresentar suas coleções publicamente duas vezes por ano (em janeiro e julho) com no mínimo 35 "saídas", como são chamados os looks para o dia e a noite, sendo estes últimos os mais glamurosos e caros.


Vestido de Haute Couture no Ateliê da Chanel


Há um coletivo formado por 2,2 mil costureiras, chamadas de "Les Petite Mains" (As Mãos Pequenas) que produzem meticulosamente as criações vindas dos ateliês de Haute Couture. Muitas fazem carreira e passam toda a vida trabalhando para apenas uma grife.


Algumas peças podem chegar a até 1000 horas de trabalho. Um terno da Chanel por exemplo é feito por duas pessoas trabalhando o dia inteiro por duas semanas. Uma peça simples pode valer 30 mil dólares, já os modelos para noite podem alcançar a casa dos milhões quando pedras preciosas e ouro (!) são usados nos bordados, por exemplo.


Há uma regra que limita a venda de qualquer peça com valor acima de 100 mil libras esterlinas a apenas um exemplar por continente. Para as de menor valor, a venda fica restrita a não mais do que três por continente. Isso garante a exclusividade que as clientes esperam ter. Mas ao longo dos anos o valor agregado pode aumentar, transformando tais peças em raros itens de coleção. Aliás é assim que as clientes são chamadas: colecionadoras.


Se antes as peças de alta costura eram compradas pelas socialites francesas, hoje o público é formado por cerca de 4 mil colecionadoras, vindas da Rússia, China e Oriente Médio. Outro fato interessante é que a faixa etária desse público baixou dos 40 para 30. Um dos motivos é que as roupas estão mais 'usáveis' hoje em dia.


Algumas dessas mulheres tiveram uma vida difícil e casaram-se com bilionários, geralmente magnatas e sheiks. Outras são as empresárias da área da tecnologia que ainda jovens ganham uma fortuna por mês.


Colecionadoras de Haute Couture: Rainha Rânia da Jordânia, Daphne Guiness, Elena Perminova e Danielle Steel.


Geralmente as colecionadoras entram no mundo da alta costura comprando o seu vestido de casamento e logo começam a ser paparicadas pelas marcas, recebendo convites para a fila A dos desfiles, onde saem com no mínimo uma encomenda. Tudo isso é sinal de status dentro do mundo dos milionários.


As brasileiras também tem o seu lugar ao sol, mas geralmente encomendam pela internet e viajam para fazer as provas depois.


Mas para quem acha que a Haute Couture é puro luxo e muitos milhões na conta, acredite, o lucro é pouco e muitas vezes as casas de costura chegam a perder dinheiro. São grandes despesas para uma pequena clientela, porém a alta costura é vista como um investimento a longo prazo, aumentando o poder da marca e a visibilidade de suas coleções mais tradicionais.


E porque prestar atenção na Semana de Alta Costura de Paris?


São dessas coleções que as próximas tendências são extraídas. Cores, babados, cortes, tecidos... Tudo deve ser levado em consideração e tudo pode virar cool em um estalar de dedos.

Sem contar que assistir a estes desfiles é como visitar um museu: são obras de arte, vestidas no corpo.


Não tem jeito, quando se fala em Haute Couture, como diria Karl Lagerfield: “Tem de ser algo que ninguém possa fazer”.

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