FASHION BRANDING CASE: ANNA WINTOUR

27/11/2018

 

Se você já assistiu ao filme "O Diabo Veste Prada" deve estar familiarizado com a personagem Miranda Prisley, interpretada por Meryl Streep. No filme, ela vive a editora de moda de uma revista de sucesso que aterroriza a vida de suas assistentes e subordinados, com uma personalidade forte, fria e extremamente exigente.

 

O filme foi inspirado num livro homônimo escrito em 2003 por Lauren Weisberger, ex assistente de Anna Wintour, editora de moda da Vogue americana também conhecida por sua personalidade difícil de lidar.

 

Lauren desmente qualquer boato de que a personagem criada por ela seja inspirada em Anna Wintour, mas é bem difícil de acreditar, principalmente porque o escritório da personagem é uma réplica quase perfeita do escritório de Anna, ela tem duas filhas e também faz parte do conselho do Metropolitan Museum of Art, assim como Anna.

 

Anna foi à preimère do filme, vestida de Prada, é claro. e disse que pensava que ele seria lançado apenas em DVD mas após o enorme sucesso, reconheceu que adorou e achou a trama engraçada. Mas nunca houve em sua revista nenhuma matéria ou resenha sobre o filme.

 

A sua personalidade é tão forte que ela já foi parodiada outras vezes, como no filme Prêt-à-Porter, onde a personagem Linda Hunt, uma poderosa editora de moda tinha o mesmo corte de cabelo de Wintour. Em Os Incríveis, a personagem Edna tem o mesmo cabelo e usa óculos gigantes. O mesmo aconteceu em Ugly Betty, novela americana, que também tinha uma personagem com essas características.

 

Fofocas à parte, Anna Wintour é um dos nomes mais importantes da moda e sem dúvidas o de maior sucesso. Em seu documentário disponível no Netflix, "The September Issue", conhecemos uma mulher forte e segura de suas convicções, porém totalmente controladora e muitas vezes rude.

 

Sobre Anna Wintour

 

Aos 16 anos, a jovem Anna começou a trabalhar com o pai Charles Wintour, ajudando-o a tornar o jornal inglês Evening Standart, do qual era editor, no veículo mais popular entre a juventude londrina dos anos 60.

 

Abandonou o colégio ainda aos dezesseis e começou a sua carreira na moda trabalhando na boutique Biba, que na época era extremamente  badalada.

 

Em seguida começou o seu trabalho na revista Harper´s Bazar em Nova York e na revista Viva, uma publicação feminina do grupo Penthouse, paralelamente. Foi quando pôde contratar a sua primeira assistente e sua fama de exigente e temperamental começou.

 

Pouco tempo depois, alcançou mais uma conquista em sua carreira trabalhando na revista New York, onde sua criatividade e liberdade na criação das matérias chamaram atenção da indústria e dos profissionais da época.

 

Passou a ter algumas regalias, provocando a ira dos colegas de trabalho, por ser protegida do editor geral. Foi quando a sua ambição veio à tona e ao ser entrevistada pela então diretora chefe da Vogue americana, Grace Mirabella, deixou bem claro à jornalista que o que ela realmente desejava era o seu lugar.

 

Em 1983 entrou para a revista em um cargo criado exclusivamente para ela, o de diretora criativa, pela Condé Nast, que estavam entusiasmados com o seu trabalho. Passou dois anos lá até ser transferida para o cargo de editora chefe da Vogue britânica.

 

Após mudar radicalmente a publicação inglesa e mostrar talento para o cargo que exercia, foi uma questão de tempo até Anna assumir de vez o cargo dos seus sonhos. Com a saída de Mirabella da Vogue americana, Anna assumiu o cargo de editora chefe, que ocupa até os dias de hoje e redesenhou o conceito da revista, colocando celebridades na capa, substituindo o fundo infinito das fotos por produções ao ar livre e com luz natural e lançando novas modelos, como a brasileira Gisele Bundichen.

 

Porém, em 2018 rumores de que ela estaria pronta para dizer adeus à publicação vieram à tona. Um dos motivos é a queda na compra de revistas impressas em função da internet, outro é o seu salário anual que ultrapassa os 2 milhões de dólares, fora 50 mil por mês que recebe para comprar roupas, coisa que raramente faz, uma vez que diversas marcas de luxo brigam para vesti-la totalmente de graça.

 

Apesar de ser temida por seus colegas, concorrentes, estilistas e até amigos devido ao seu temperamento difícil, ela ainda é venerada por seu extremo bom gosto, criatividade, disposição e olhar clínico para novos talentos.

 

A sua marca pessoal é forte e seu estilo é inconfundível: o cabelo pajem cultivado desde os 14 anos, enormes óculos escuros Chanel, sua sandália Manolo Blahnik e seus looks coloridos e estampados são copiados ao redor do mundo.

 

Sobre usar sempre óculos escuros, a justificativa na verdade não tem nada a ver com estilo, mas alguns traços de fotofobia herdados pelo pai. Porém o uso do acessório deu início à uma lenda criada nos bastidores da moda de que Anna é a própria reencarnação do diabo e seus olhos seriam vermelhos.

 

Mas quem vê essa senhora focada em sua carreira, não imagina que em 1998 ela foi flagrada tendo um caso com um milionário texano, levando ao fim de seu casamento de 15 anos, o que automaticamente a colocou no patamar de celebridade.

 

Ela é chamada pelo The Guardian como "prefeita não oficial" de Nova York, nunca passa mais de 20 minutos em festas e dorme sempre às 22h.

 

Já proibiu que Oprah Winfrey posasse para a capa da Vogue sem antes emagrecer e não permitiu que Hillary Clinton aparecesse em sua revista até parar de usar casacos azul marinho, que para ela eram considerados fora de moda. Além disso Anna é odiada por diversas ongs de apoio aos animais por usar e defender o uso de peles.

 

O que podemos aprender com Anna Wintour?

 

Apesar de não fazer uso das redes sociais (segundo Eva chen, diretora de parcerias de moda do Instagram, ela possui uma conta secreta na plataforma) e só termos acesso à uma pequena parte do lifestyle de Anna, podemos aprender algumas lições com ela:

 

A primeira delas é a tratar suas ambições como prioridades. Anna se propôs a criar algo novo e teve sucesso em sua missão. Não se preocupou com a opinião alheia e transformou o seu trabalho em uma verdadeira referência para quem quer trabalhar com moda. Hoje, reconhecida como a mais importante editora chefe do mundo, carrega consigo uma autoridade nessa indústria que nem os maiores estilistas possuem.

 

A segunda lição que podemos aprender com Anna é a manter o foco. A personalidade forte deixa claro que nada tira Wintour do seu eixo e que dificilmente ela mudará de ideia. O que pode ser algo bom, mas extremamente ruim também.

 

E a terceira e última lição que aprendemos com ela é como não tratar as pessoas ao seu redor. Há 30 anos à frente da Vogue americana e com os rumores de sua saída da publicação, Anna começou a mudar o seu posicionamento, quebrando um pouco do seu gelo e se esforçando para ser mais simpática, o que rendeu uma parceria com a Nike, mas teria sido mais sábio construir toda a sua carreira respeitando as pessoas ao seu redor para que no final a sua personalidade forte não fosse responsável pelo repúdio das novas gerações, que simplesmente acham um absurdo o seu comportamento.

 

Quer gostemos ou não, Anna Wintour é o maior exemplo de que com dedicação e foco é possível atingir seus objetivos e muito mais. Sem falar que seu posicionamento deixa claro que as mulheres são tão capazes e competentes quando os homens de alcançarem o sucesso na carreira. No dia em que Anna sair da Vogue, não sabemos o que será da publicação sem seu olhar mas uma certeza teremos: a de que como Anna Wintour, só Anna Wintour.

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